Dragon Ball Super: a moral por trás da pancadaria

       No manhã do dia 25 de março de 2018 (domingo) no Japão e na noite do dia 24 (sábado) no Ocidente, foi ao ar o episódio 131 de Dragon Ball Super, o último dessa série, iniciada em 2016, após o sucesso dos filmes "A Batalha dos Deuses" (2014) e "A Ressurreição de F" (2015). Assim como houve mobilização ao redor do mundo para a transmissão do penúltimo episódio - o que gerou até mesmo um atrito diplomático entre os governos do Japão e do México, também houve para o último, mas em escala muito maior, até a prefeitura da minha cidade, Macapá, providenciou a transmissão [1], mas não é sobre isso que falarei aqui.






       O que eu pretendo abordar aqui é exatamente sobre o porquê de "um mero anime" [2] gerar toda essa mobilização ao redor do globo, comovendo um público vastíssimo, que abarca de adultos com 40 (quarenta) e poucos anos [3] a criancinhas de colo, que estão sendo apresentadas à franquia por seus pais - e quando digo "pais", me refiro a pais e mães, pois a quantidade de mulheres fãs da franquia é e sempre foi absurdamente alta. A Tatá, com o seu excelente trabalho no canal Kami Sama Explorer e o melhor exemplo nacional disso.
       Por que mencionar isso é algo relevante? Porque, basicamente,  os mangás (e consequentemente os animes, suas adaptações para a TV) são classificados em diferentes gêneros etário-sexuais, ou melhor, são produzidos de acordo com distintos públicos alvo, os quais são identificados mediante uma combinação de gênero sexual e faixa etária.
       Assim, tem-se os seguintes quatro principais públicos alvo de consumidores de mangá e anime: o shounen; o shoujo; o seinen e o josei. Falarei um pouco deles a seguir.


Shounen, shoujo, seinen e josei

       O termo shounen possui dois significados, o primeiro e mais comum sendo o de "menino", enquanto o segundo e mais raro é o de "menores de idade", ou seja, crianças e adolescentes. Embora alguns afirmem que o termo, quando voltado para mangás e animes, tem esse segundo sentido, abrangendo, portanto, crianças e adolescentes de ambos os sexos, a maioria das fontes dirá que as produções identificadas como shounen são voltadas para meninos e eu concordo com essa maioria por motivos que falarei mais adiante.
       De qualquer forma, o fato principal aqui é que essas produções costumam ser sobre a amizade, o trabalho em equipe e a superação de obstáculos, sendo comuns nos gêneros de comédia e de ação.



Protagonistas de diferentes shounen-muke manga.

       Quanto ao shoujo, o termo significa "menina" e se refere, nesse contexto, ao público alvos dos mangás e animes voltados para o romance, as relações sentimentais ou a busca pelo primeiro namorado, tendo, geralmente, um protagonista do sexo feminino - enquanto os shounen costumam ser protagonizados por personagens masculinos. Essa característica do protagonista é o suficiente para classificar um mangá ou anime como shoujo, mesmo que ele seja de comédia e/ou ação e sem qualquer coisa relacionada a romance.
       Aliás, é por isso que concordo com a explicação mais corriqueira do termo shounen, como disse anteriormente, porque se a personagem protagonista dos shoujo costumam ser do sexo feminino para que acha identificação do público pretendido - essa característica bastando para classificar um mangá/anime como shoujo, logo, o fato de que os shounen costumam ter protagonistas do sexo masculino não deveria estar submetida à mesma lógica?
       Então, sim, podemos afirmar que os shounen são para meninos e os shoujo para meninas, mas note que isso não significa dizer que: 1) marmanjos de 40 anos não possam ler um shoujo-muke manga (mangá para menina), o mangá apenas não foi pensado para eles; 2) não existam shounen-muke manga/anime (mangá/anime para menino) de romance ou shoujo-muke manga/anime (mangá/anime para menina) de ação, claro que existem, não se restringem determinados gêneros de mangá/anime para um ou outro sexo.
       Por fim, os termos seinen e josei, significam, respectivamente, "adulto" ou "homem adulto" e "pessoa do sexo feminino" ou "mulher" [4], se referindo ao público consumidor de mangás e animes voltados para adultos, mas que não são "mangás e animes adultos" [5], no sentido sexual da coisa. Não é que não haja ou não possa haver nada sexual em tais obras, pode, mas esse não é o foco deles, as histórias sendo mais "maduras", trazendo outros tipos de conteúdos inapropriados, bem como aqueles que são desinteressantes para crianças e adolescentes.



Eis um seinen-muke manga.

       A diferença fundamental entre seinen e josei está no fato de que as obras voltadas para este último segmento são como as do shoujo, focadas em romances e relacionamentos sentimentais, porém, com muito realismo e repleto de dilemas e complicações, porque a vida, bem, ela não é uma fantasia cor de rosa.


Onde Dragon Ball entra nisso

       Dragon Ball é uma franquia que pertence ao gênero de ação com altos toques de comédia (principalmente na série clássica) e sendo classificada como um shounen, ou seja, foi pensada principalmente para um público infanto-juvenil masculino, abordando os temas da (construção da) amizade, da importância do trabalho em equipe e da superação de obstáculos.
       Três temáticas que também se vê nitidamente presentes em Naruto e One Piece, por exemplo, que são dois dos mangás e animes inspirados em Dragon Ball. Os autores deles são fãs da obra monumental do mestre Akira Toriyama. E acho, ou melhor, tenho certeza de que é importante mencionar isso porque existe uma rixa muito imbecil entre supostos fãs de Naruto e de Dragon Ball. Sim, muita gente leva a rivalidade na zoeira, mas muitos tratam a coisa com uma seriedade desnecessária e muito preocupante em alguns sentidos, pois é como se quisessem, a todo custo, fazer jus à origem da palavra fã [6]...





       Acontece que, se tais pessoas autodeclaradas fãs pensam assim e se comportam dessa maneira, só mostram que são pessoas que não sabem do que estão falando, que ou não leram/assistiram tais obras ou realmente não entenderam nada do que elas dizem. São obras sobre amizade, trabalho em equipe e superação de obstáculos, não sobre "odeie, ataque, censure e isole aquele que tem pensamentos e gostos diferentes de você".
       Talvez seja por isso, também, que Dragon Ball Super veio trazendo uma proposta de resgate de personagens que haviam sido deixados cada vez mais de lado conforme os níveis de poder dos saiyajin, dos saiyamen [7] e dos seus oponentes cresciam absurdamente.
       Vimos, em Dragon Ball Super, uma construção de narrativa do primeiro ao último episódio, a mensagem da importância da amizade e do trabalho em equipe para a superação dos obstáculos sendo martelada implícita e explicitamente nas menores e maiores coisas. Além disso, foi dado destaque, principalmente na última saga, para algo característico desde a série clássica.
       O saiyajin Goku, que é o protagonista, se caracteriza por jamais matar os seus adversários, a não ser em casos excepcionais [8], sempre procurando poupar as suas vidas para ter uma nova oportunidade de lutar contra eles e, nisso, os mesmos acabam se transformando. O filho de Piccolo Daimaoh, Piccolo Junior, e o príncipe dos saiyajin, Vegeta, são as maiores provas disso, mas, como esta (então) última série fez questão lembrar o tempo todo, sobretudo durante a sua última saga, praticamente todos os que integram o grupo dos guerreiros Z foram inimigos um dia.





       Kuririn, o melhor amigo de Goku, era seu adversário enquanto treinavam com o Mestre Kame. Tenshihan e Chaos foram introduzidos na franquia como inimigos mortais do Mestre Kame e seus discípulos. Piccolo Junior herdou do seu pai a inimizade com Goku, mas acabou se transformando quando se viu obrigado a treinar e criar o filho primogênito de seu inimigo para, assim, defenderem a Terra da invasão de Vegeta e Nappa.
       Este último foi morto por Vegeta, que, por sua vez, foi poupado por Goku e, ironicamente, Kuririn, que era quem iria matar o príncipe dos saiyajin e foi convencido do contrário por seu amigo, foi quem teve a brilhante ideia de estimular que Vegeta ficasse pela Terra e fosse acolhido na Corporação Cápsula, já antevendo que ele se tornaria um futuro aliado, como, de fato, ocorreu.





       Outros personagens que tiveram suas vidas poupadas por Kuririn, meio que seguindo o exemplo de Goku, meio que sendo guiado por seus interesses emocionais, foram os androides 17 e 18, mais esta última, do que o primeiro, ela tendo se tornado sua esposa. E se ela foi transformada pelo matrimônio com o careca sem nariz e Vegeta pela relação com Bulma, esta própria, a primeira amizade humana que Goku teve após a morte de seu vovozinho (adotivo), também não era flor que se cheirasse quando foi introduzida na franquia.
       Bulma era interesseira, egoísta e enganou Goku para ele se aliasse a ela. O porco antropomorfo e metamorfo, Oolong, e a dupla Pual (outro metamorfo) e Yamcha também não eram exemplos de pessoas que se quer em sociedade. O primeiro sequestrava moças adolescentes de uma vila aterrorizada por ele para serem suas esposas, tendo formado um harém em sua mansão, enquanto os dois últimos eram saqueadores de estrada.
       O único adversário de Goku que não teve qualquer perdão e que muito provavelmente não se transformaria tal como os demais ou, no mínimo, se mostraria incapaz de fazer concessões de qualquer natureza atende pelo nome de Cell. Ele foi fulminado quando se constatou que realmente destruiria a Terra ao custo da própria vida se fosse necessário, mas quem o matou não foi o Goku, foi seu filho, Gohan. Mas... E quanto ao majin [9] Boo?


As pessoas mudam

       É verdade que o majin Boo teve o seu corpo físico totalmente eliminado pela maior Genki Dama já feita por Goku - com a ajuda do inteligente Vegeta e do popular Mr. Satan. Aliás, essa técnica expressa bem o coração da franquia: é uma esfera constituída pela energia espiritual doada pelos seres vivos, é fruto da união de todos, uma união espiritual. Porém, enquanto o Boo gordo foi poupado da morte por ter ajudado na luta contra o Boo garoto [10], este recebeu os votos de Goku - enquanto a Genki Dama o consumia - para que pudesse reviver como uma boa pessoa.



É nesse momento que Goku deseja que Boo renasça uma boa pessoa.

       Assim foi feito e Dragon Ball Super fez essa menção, Boo reencarnou como o garoto Oob, o humano (preto [11], diga-se de passagem) mais poderoso jamais visto e que receberá treinamento de Goku, tal como mostrado no último episódio de Dragon Ball Z.
       Toda essa relação entre Goku e Boo demonstrada na última saga de Dragon Ball Z é importantíssima e permeia Dragon Ball Super, sendo importante lembrar que esta série se passa entre os dois últimos episódio de Dragon Ball Z. Afirmo isso porque:


1 - Vimos Goku (e a Terra) ser poupado por Bills, mesmo este tendo em mente a premonição de que um deus saiyajin o derrotaria, coisa não desejada pelo Deus da Destruição; 
2 - Ficamos sabendo em Dragon Ball Super que Freeza se manteve todo esse tempo no inferno, possibilitando que fosse ressuscitado, porque não se arrependeu de nada, o que significa que o majin Boo garoto se arrependeu, do contrário, não teria sido lhe dada a oportunidade de que sua alma fosse usada para um novo ser vivo [12]; 
3 - O shinjin [13] Zamasu, de qualquer linha espaço-temporal [14] que fosse, não acreditava na possibilidade de que os humanos pudessem ser bons e melhores, o que o motivou a querer eliminar toda a vida dos 12 universos da linha espaço-temporal ..., incluindo a dele próprio, coisa que foi conseguida quando o Zen'Oh daquele linha espaço-temporal a apagou completamente; 
4 - Jiren mostrou ser alguém traumatizado e que não confia nas outras pessoas, sendo voltado inteiramente para si próprio e, se tivesse vencido o Torneio do Poder, muito provavelmente teria pedido ao deus-dragão das super esferas do desejo que as pessoas de sua família e vila fossem revividas, um desejo egoísta que fatalmente condenaria a existência de todos os oito universos participantes (e mesmo os quatro não participantes, se entendi corretamente).


       Goku nunca foi hipócrita de se colocar com o herói salvador de tudo, ele sempre se colocou como alguém interessado em ficar mais forte e lutar contra sujeitos mais fortes do que ele - ainda que, na série clássica, já tenha chegado a declarar que "se você não lutar contra os maus, é claro que será morto". Claro que, enquanto se divertia desafiando os seus limites, ele acabou salvando a Terra algumas vezes, mas nunca teve a intenção de fazer isso em primeiro lugar.
       Evitou acidentalmente que o autoproclamado Rei Pilaf dominasse o mundo (mediante pedido feito ao Shen Long) ao transformar-se em oozaru (macaco gigante) - e ele só queria ajudar a Bulma a fazer o seu pedido e pegar a esfera do dragão de quatro estrelas de volta, quando tudo terminasse.
       Depois disso, o filho mais novo de Bardock também exterminou TODO o exército paramilitar conhecido como Red Ribbon ou "a Patrulha Vermelha" enquanto viajava pelo mundo atrás da esfera de quatro estrelas - que ele acreditava conter o espírito de seu vovozinho. E ele eliminou "de vez" [14] a organização motivado não pelo desejo de salvar o mundo dela, mas de conseguir todas as esferas para reviver o pai de Upa, Bora.





       Também livrou o mundo da dominação de Piccolo Daimaoh, mas toda a jornada que o conduziu a isso teve início com o roubo da esfera de quatro estrelas pelos filhos da contraparte maligna de Kami Sama e a morte de Kuririn pelo filho mutante de Piccolo Daimaoh, Tamborim.
       O último filho de Piccolo Daimaoh e considerado como sua reencarnação, Piccolo Jr, foi derrotado por Goku e teve os seus planos de também dominar o mundo estragados não porque o saiyajin quisesse salvar o planeta. O objetivo primário dele, dessa vez, era vencer o Torneio de Artes Marciais.
       Anos depois, ele morreu lutando contra seu próprio irmão, Raditz, para salvar o seu filho, que havia sido sequestrado. Depois, enfrentou Vegeta e Nappa e, por mais que ele tivesse ciência de que a derrota significaria a destruição da humanidade, lutou muito mais motivado pelo desejo de enfrentar alguém mais forte que ele e, depois, vingar o que haviam feito aos seus amigos.
       A ida a Namekusei também dizia muito mais respeito a conseguir reunir as esferas do dragão de tal planeta e ressuscitar as pessoas mortas por Nappa e Vegeta do que sobre salvar o universo das garras de Freeza, que foi o que acabou acontecendo quando o Imperador do Universo foi derrotado pelo Goku transformado em super saiyajin.



Freeza moribundo após a explosão de Namekusei.

       Posteriormente, veio o aviso dado pelo Trunks vindo do futuro e Goku só queria saber de lutar [15] contra os androides que apareceriam e, posteriormente, contra o biomecanoide [16] Cell, isso só se alterando no último instante, quando se sacrificou para evitar que a criação do Doutro Maki Gero destruísse toda a Terra.
       Mas note que ele não matou esses adversários, apenas o Piccolo Daimaoh. Ele até mesmo deu energias para Freeza conseguir se manter vivo - embora, após ser traiçoeiramente atacado por ele, tenha ficado subtendido que seu contra-ataque o tenha matado [17]. Quanto a Cell, ele foi derrotado por Gohan .[18].
       Então, quer dizer que Goku nunca matou? Claro que não, já matou sim. Desconsiderando-se, claro, os incontáveis soldados da Armada Red Ribbon [8], ele já matou um total de 12 adversários. Sendo que, em relação ao Boo garoto, sempre houve o desejo primário de o enfrentar por causa de sua força e não porque ele representava uma ameaça para o universo. Tanto isso é verdade que fica evidentemente expresso no desejo que Goku faz enquanto elimina Boo com a Genki Dama.
       Isso também se manteve nas sagas de Dragon Ball Super, mesmo contra Jiren, durante o Torneio de Poder, cuja derrota significaria a extinção do universo 7. Mas isso não é algo ruim, na verdade, o discurso que o Goku fez para o Jiren logo após evitar que o disparo de energia deste último matasse todos que estavam na arquibancada resume bem isso:




       E Jiren, em todo o seu modo de pensar e se comportar, expressa bem um caminho que Goku poderia ter seguido desde o começo de sua jornada, sendo que o conhecimento daquilo que o traumatizou a ponto de o tornar "alguém incapaz de se conectar com outras pessoas" muito provavelmente tenha levado Goku a considerar a sugestão feita por Dendê [19], o novo Kami Sama da Terra, sobre se tornar um mestre e treinar um terráqueo que nascera numa vila pobre, um terráqueo que é a encarnação do majin Boo garoto.
       E é essa a principal ponte de ligação entre Dragon Ball Super e o último episódio de Dragon Ball Z, no qual, enquanto enfrenta Oob no Torneio de Artes Marciais, Goku resolve motivá-lo a lutar com todas as suas forças e, para isso, ameaça que, após o vencer, irá matar todas as pessoas da vila do garoto - algo muito semelhante ao que aconteceu com o Jiren.
       Caindo no blefe de Goku, Oob luta com todas as suas forças e, satisfeito, o saiyajin abandona o torneio junto ao garoto e parte em direção a vila natal dele, tornando-se o seu mestre. Mestre da reencarnação do ser mais maligno que já existiu no universo 7. Mestre não apenas de artes marciais, mas também de conduta e moral, para que ele faça jus ao seu nome, para que seja o contrário do Boo.





       Assim, por mais que certas batalhas tenham envolvido vingança em pontos críticos, Dragon Ball não prega justiçamento, mas sim a justiça - por mais que não fique brandando isso o tempo todo tal como os "heróis da justiça" da Tropa do Orgulho - e, principalmente, a recuperação daqueles que agem contra a sociedade.
      E essa recuperação pode ocorrer por meios sociais - tal como ocorreu com o Piccolo Jr, o Vegeta e os androides Nº 17 e Nº 18 - ou por meios espirituais - como é o caso do Boo garoto, que reencarnou para ter uma nova chance. Essa é a principal mensagem que o anime deixa em sua (então) última série: não dá pra recuperar todo mundo (vide o Conselheiro Black, o Piccolo Daimaoh e o Cell), mas, àqueles que podem ser recuperados, deve-se dar uma nova chance [20]. Jiren certamente foi transformado - como tantos outros - pelo encontro com Goku e o universo 7, uma nova chance lhe sendo dada mediante a restauração dos universos eliminados no Torneio do Poder.


Considerações finais

       Isso tudo posto, creio eu que fique fácil de entender o porquê de Dragon Ball fazer tanto sucesso entre o seu público alvo e além dele, mesmo as suas adaptações não contando com um qualidade primorosa em todos os episódios e não apresentando uma alta complexidade em suas narrativas, tal como, por exemplo, Naruto. Akira Toriyama consegue, em Dragon Ball, transmitir toda uma mensagem, juntando pontas dispostas em diversos pontos ao longo das diferentes séries da franquia, por meio de maneiras muito, muito simples, pois a narrativa sempre tem se mostrado de igual forma.
       Assim, desde que você preste atenção à estória contada e pare para questionar sobre os motivos que levaram determinado personagem a tomar essa ou aquela decisão, você consegue entender a moral por trás da narrativa e aprender com ela, absorvendo os valores expostos. Desta forma, é seguro afirmar que Dragon Ball é um conto de fadas (a lá Perrault) contemporâneo, fazendo jus ao romance mitológico no qual foi inspirado: a Jornada ao Oeste.





NOTAS

[1] Creio que eu tenha sido o que mais "pentelhou" a Prefeitura com isso, até mesmo procurando a Fundação Municipal de Cultura (Fumcult), que resolveu que poderia ser feita a transmissão no cinema do Céu das Artes - e estava tudo certo para acontecer lá, quando o Prefeito Clécio Luís resolveu responder no post que eu fiz na página da Prefeitura de Macapá (na qual vários amigos saíram marcando outros amigos e também ele) e a organização da exibição foi redirecionada para a praça Floriano Peixoto, com direito a telão e totens do Goku e do Jiren.

[2] O destaque das aspas aqui se dá porque muitos dos que criticaram a exibição pública na minha cidade trataram Dragon Ball como um simples desenho animado, como algo absolutamente sem a menor importância.

[3] Porque tinham uns 20 (vinte) anos quando o Dragon Ball clássico foi transmitido pela primeira vez no Brasil, ainda pelo SBT.

[4] Ué, mas uma "pessoa do sexo feminino" não é um "mulher"? Por que esse "ou" aí? Porque "mulher" é a fêmea da nossa espécie e, como estamos falando da língua japonese, pode ser que o termo em questão tenha abrangências mais gerais e possa ser usado para fêmeas de espécies sapientes (pessoas) que não a nossa, tais como elfos, saiyajin e kriptonianos.

[5] Esses mangás e animes focados no sexo são mais conhecidos aqui no ocidente como hentai, porém, este termo é formado pelos kanji para "aparência" (tai) e "estranho" (hen), significando "pervertido, anormal" ou "transformação, metamorfose". O termo que realmente designa essas obras de teor sexual "explícito" (nota dentro da nota: por lei, os órgãos sexuais não podem ser explicitados em absolutamente nada no Japão, sendo todos cobertos por tarjas, efeitos de distorção e afins) é seijin anime/manga, que significa "anime/mangá para adultos", ou ero-anime e ero-manga, sendo "ero" um derivado de erotic (erótico). O termo ecchi, usado para se referir a obras de teor erótico (ou seja, sem coisas explícitas), advém do ajaponesamento de height, o nome em inglês da letra "h", a inicial de "hentai".

[6] Na língua portuguesa, considera-se que o termo "fã" seja oriundo de uma abreviação de "fanático", que se origina do latim fanaticus, significando "louco, entusiasta, inspirado por algum deus" e, originalmente, "relativo a um templo", sendo que o termo para "templo" era fanum. Não encontrei, ainda, datas de registros de origem do termo na nossa língua, mas, na língua inglesa, considera-se que o termo fan seja de origem recente (há um uso isolado em 1682), tendo surgido no começo do século XX a partir de uma abreviação de fanatic, sendo provável a influência do coletivo (the) fancy, usado para os seguidores de um determinado hobby ou esporte, em especial o boxe.

[7] Plural de saiyaman, que é como o Gohan se trata ao assumir a identidade de Grande Saiyaman no começo da saga do majin Boo. Portanto, me parece lógico e natural tratar os mestiços de saiyajin e homens terráqueos (os Men) como saiyamen. No caso, teríamos como saiyamen: Gohan, Goten, Trunks, Bra e Pan.

[8] Os adversários que Goku realmente matou, além da quantidade incontável de soldados da Armada Red Ribbon, foram: o monstro Buyon, o polvo Octopapa, o tigre antropomorfo Capitão Yellow; Murasaki, o ninja púrpura (no mangá); e o Conselheiro Black, todos membros da Armada Red Ribbon; Tamborim (Tambourine), Tambor (Drum) e Piccolo Daimaoh; o servo de Babidi, Yakon; o majin Boo garoto; também matou o Freeza em Dragon Ball Super, embora o mesmo tenha voltado, e o Vegeta-cópia.

[9] Não utilizo "majin" com inicial maiúscula simplesmente porque ele não é o primeiro nome do ser em questão, mas sim o nome de sua raça, significando "povo/raça (jin) demônio (ma)".

[10] Não vejo necessidade de ficar utilizando termos provenientes do inglês nos nomes dos personagens, então, prefiro usar "Boo garoto" ao invés de Kid Boo.

[11] Um dia farei um post só sobre isso, mas, basicamente, no contexto étnico-racial, o termo "negro" se refere à soma de dois grupos de pessoas: aquelas identificadas como sendo de cor preta e aquelas que teria a cor parda, que, na verdade, compreende qualquer tonalidade situada entre os tons mais escuros de pele (marrom e preto) e os mais claros (bege e branco). O personagem Oob é nitidamente um "negro preto", embora seja marrom, enquanto o Sr. Popo efetivamente tem a cor preta. A nível de curiosidade e seguindo essa conceituação, uma expressão como "negro albino" não é errada e o personagem Tobias Whale (pertencente ao universo do Raio Negro ou Black Lightning) é um.

[12] Lembrando a explicação que Piccolo dá a Vegeta momentos antes deste se sacrificar para tentar destruir o majin Boo gordo. Note que isso acaba sendo um gancho com o final de Dragon Ball Z e a reencarnação do Boo garoto.

[13] "Povo/raça deus" ou "povo/raça divina" é a espécie à qual pertencem aqueles que costumam ocupar os cargos de kaiohshin (Deus-Rei do Mundo), Dai Kaiohshin (Supremo Deus-Rei do Mundo), Kaioh (Rei do Mundo) e Dai Kaioh (Supremo Rei do Mundo).

[14] De fato, a Armada Red Ribbon não foi totalmente destruída, já que pelo menos um dos seus membros sobreviveu, o cientista conhecido como Dr. Maki Gero, criador dos androides Nº8, Nº16 (na verdade, ambos são robôs), Nº 17, Nº 18, Nº 19 e Nº 20, além, claro, do biomecanoide Cell.

[15] Havia uma solução mais simples, que era encontrar o controle de parada dos androides e utilizá-lo para os destruir, opção esta prontamente descartada pelos saiyajin (Vegeta e Goku), muito mais interessados em lutar contra oponentes tão fortes.

[16] Eu utilizo o termo "biomecanoide" para me referir ao Cell porque ele simplesmente não é nem um robô (como o Nº 8 e o Nº 16), nem um androide (como o Nº 17 e a Nº 18).

[17] Depois ficamos sabendo que o Freeza não havia morrido, muito embora tenha ficado ainda mais destruído, tanto que tiveram que reconstruir partes dos seu corpo, transformando-o num ciborgue.

[18] Entende-se que o ataque definitivo de Gohan contra Cell tenha sido disparado por ele em conjunto com o espírito de seu pai, mas, creio eu, que o Goku em espírito ali, naquele momento, tenha sido muito mais uma representação para as motivações de Gohan.

[19] Isso pode ser visto no episódio 85 de Dragon Ball Super, intitulado "Cada universo começa a fazer suas especulações".

[20] Especialistas da área da saúde afirmam que há criminosos irrecuperáveis, sendo comum que, quando o assunto é abordado, digam que a quantidade deles corresponda a 30 ou 35%.






REFERÊNCIAS

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Douglas Harper. Fan. In: Online Etymology Dictionary. 2001-2018. Disponível em: <https://www.etymonline.com/word/fan>.

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Leonardo Pereira. Shounen, shoujo, seinen e josei. In: Japonês de anime e kanji de mangá. Publicado em: 07 Fev 2016. Disponível em: <https://www.japonesdeanime.com.br/2016/02/anime-manga-shounen-shoujo-seinen-josei.html>.

Leonardo Pereira. Gêneros de anime - sifnificados. In: Japonês de anime e kanji de mangá. Publicado em: 17 Fev 2016. Disponível em: <https://www.japonesdeanime.com.br/2016/02/lista-de-generos-de-anime.html#hentai>

Origem da palavra. Fã, ídolo, fanático. Publicado em: 11 Fev 2011. Disponível em: <http://origemdapalavra.com.br/pergunta/fa-idolo-fanatico/>.

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